Fórum Regional da Indústria reúne principais atores econômicos do Vale do Jaguaribe

Ser reconhecida no estado pela promoção da sustentabilidade a partir de políticas públicas efetivas e da integração empresa-academia com foco no desenvolvimento tecnológico, econômico e social é o que a Região do Jaguaribe quer ser até 2025. Essa visão foi construída hoje (19/7), durante o Fórum Regional da Indústria, promovido pelo Núcleo de Economia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em Limoeiro do Norte. Empresários de diversos segmentos econômicos, representantes de instituições de ensino e pesquisa e representantes do poder público da Região Jaguaribana participaram do evento.O objetivo é criar uma agenda de desenvolvimento para a região jaguaribana.

A partir das ações mapeadas nas Rotas Estratégicas Setoriais, o futuro de cinco segmentos foram discutidos no evento: indústria agroalimentar; eletrometalmecânico; minerais não-metálicos; água; e produtos de consumo (calçados e couro, e confecção).  Ao levar em consideração a realidade local, os participantes priorizaram o que já foi mapeado pelas rotas, propuseram novas ações e apontaram diferentes entraves. Os temas apontados como mais relevantes foram: educação (qualificação e formação), recursos naturais, recursos hídricos, sistemas de saúde e saúde e segurança no trabalho, energia, logística e transportes, legislação trabalhista, combate à corrupção, empreendedorismo, licenciamento ambiental, inovação, tecnologia, gestão, produtividade e sustentabilidade.

Entre as ações escolhidas como prioritárias para alcançar a visão apontada pelos participantes, destacam-se por viabilidade e importância: divulgar serviços ofertados pelo SENAI para empresas, rever política tributária para alavancar a competitividade, criar programa de parceria entre empresas e instituições de ensino para capacitação, fomentar programas permanentes de sensibilização e educação ambiental para uso da água, promover melhorias de qualidade nos serviços de saneamento, realizar diagnóstico de bacias hidrográficas, divulgar serviços ofertados pelas universidades e institutos de tecnologia, promover eventos de aproximação entre empresas âncoras e potenciais fornecedores locais, fortalecimento de sindicatos relacionados ao setor e rodadas de negócios, capacitar produtores da agricultura familiar para aproveitamento integral da produção, alinhar pesquisas acadêmicas com demandas das indústrias, ampliar p&d&i em alimentos funcionais e orgânicos, incentivar e facilitar acesso a fontes de energias renováveis, assegurar fornecimento energético e de água, intensificar políticas de ampliação de investimentos.

A superintendente geral do Sistema FIEC, Juliana Guimarães abriu o evento destacando a importância da iniciativa. “O objetivo da FIEC é justamente essa cocriação, essa parceria para desenvolver nosso estado. Vocês, os participantes, são pessoas que tem capacidade de decidir e influenciar”. O líder do Programa para Desenvolvimento da Indústria e presidente do SIMEC, Sampaio Filho, afirmou que desenvolver e integrar os setores econômicos mais fortes na região é o foco central do fórum. “Estão presentes aqui Tabuleiro do Norte, Quixeré, Morada Nova, Russas, Jaguaribe, Flores. Precisamos pensar pra frente, estamos aqui para desenhar o futuro. Precisamos solucionar problemas de hoje mas olhando para a construção de futuro”. Para o representante do Sebrae, Lucídio Nunes, “a palavra que definirá o dia é construir e construir com os atores que fazem a região, que conhecem as peculiaridades de cada setor”. A partir de hoje, segundo ele, será possível que a FIEC, os governos e as empresas busquem viabilizar os caminhos apontados.

O que pensam os empresários

Ricardo Castro Alves, da indústria de bombas, Bombas King e SK Soluções, com sede em Limoeiro e atuação no Norte e Nordeste do país, considera que pensar o futuro é ainda mais importante nesse momento de crise política, econômica e hídrica. “O mais importante é interligar as cadeias que estão tentando sobreviver sozinhas. Esse isolamento é nocivo ao sucesso da região. Havendo objetivo comum que norteie todos, vamos avançar como precisamos. Como produtores de bombas, percebemos bem o mercado, somos reflexo do mercado”.

Há 3 anos no mercado de polpas de fruta, Francisco José Tabosa, da Agroindústria Tropical, localizada em Limoeiro, acredita que a qualificação é a principal necessidade da região. “Acredito que em todos os setores. Indústrias de todos os portes sofrem com isso. Até 2025 dá tempo de pessoas serem formadas. Acho que é a maior carência”, opina. Com atuação focada no fornecimento a escolas, repartições públicas e forças armadas, a Agroindústria Tropical está visando vôos mais altos: planeja entrar no mercado varejista.

O ceramista Paulo Tomé Nobre Neto, da Cerâmica Nobre, diz que momentos de crise são oportunos para pensar em oportunidades. “Aqui, estamos temos a visão de como será a nossa região no futuro. A principal dificuldade atual das cerâmicas é preço. Os custos aumentaram muito, quase dobraram em alguns insumos, e o preço não conseguiu reagir nos últimos oito anos. O grupo com o qual interagi no evento analisou que a principal saída para esse problema é diminuir custos otimizando a produção com novas tecnologias. Isso não é barato mas é necessário”.

No mercado de lingerie há 24 anos, a empresária Maria Neci de Lima Souza, da Alarc Langerie, estava de férias mas voltou ao trabalho pra participar do evento, que considera essencial para ao desenvolvimento local. “Nossa atuação na empresa é sempre guiada por considerações da FIEC e do Sebrae. Somos muito preocupados com sustentabilidade ambiental. Vamos instalar placas solares, nossos resíduos são reciclados ou doados. Não deixamos nada ir para o lixo”, conta. Com sede fabril em Limoeiro e lojas em Limoeiro e Flores, a empresa dribla a crise produzindo para as lojas em tempos de poucas vendas. “Quando chega algum pedido, já temos tudo pronto em estoque nas lojas. Não sentimos tanto a crise esse ano”.

Informações econômicas e sociais da região

A Região do Vale do Jaguaribe tem o 4º maior Produto Interno Bruto (PIB) das 14 regiões do Ceará. Em empregos, está em 5º; em número de estabelecimentos, em 3º; e em 7º em população. Os principais municípios em PIB são Russas, Limoeiro do Norte, Morada Nova, Jaguaribe, Quixerá, Tabuleiro do Norte, Pereiro e Jaguaribara. O Vale do Jaguaribe cresceu 15% entre 2011 e 2015 enquanto o Ceará avançou 8% nesse período. A indústria é responsável por 15% do PIB da região, enquanto a agropecuária corresponde a 18%, a administração pública equivale a 29% e os serviços representam 38%. São 37.442 empregos formais, sendo 25,5% (9166) na indústria, que conta com 531 estabelecimentos, a maioria (84%) de tamanho micro.

Os setores mais relevantes para a região (em quantidade de empregos) são couro e calçados, minerais não metálicos (13% de todos os empregos do setor no estado estão na região), alimentos, confecção, móveis e construção. Os municípios exportadores são Russas, Quixeré, Limoeiro do Norte, Morada Nova e Jaguaribe. Os principais destinos dos produtos são Estados Unidos, Holanda, Japão e Itália; e os principais produtos são ceras vegetais, melões e melancias, bananas, cimento, mel e móveis. As informações são do dashboard (painel de dados) elaborado pelo Núcleo de Economia da FIEC, apresentado no evento. A plataforma está disponível no site   do Núcleo, acessível gratuitamente por meio de cadastro clicando AQUI.

Programa para Desenvolvimento da Indústria

O evento é uma ação de regionalização do Programa para Desenvolvimento da Indústria e, em breve, chegará também a São Gonçalo do Amarante. Já foram realizadas edições em Sobral e Cariri. Lançado em 2015, o Programa para Desenvolvimento da Indústria objetiva contribuir com o crescimento de longo prazo, definindo as principais potencialidades do Estado e os respectivos caminhos para o melhor aproveitamento desses diferenciais, por meio de um debate articulado entre setor privado, poder público, academia e entidades de apoio, incentivando o fortalecimento da inovação e sustentabilidade no contexto empresarial.

A partir dessa estratégia de desenvolvimento se articulará uma atuação conjunta, fortalecendo as diversas contribuições dos agentes para o aumento da competitividade setorial, o crescimento de setores intensivos em tecnologia e conhecimento, bem como para a reorientação de setores tradicionais, induzindo um ambiente de negócios moderno e dinâmico como diferencial competitivo do Ceará.

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